Poesia nua; Melancolicamente

“Gosto mesmo é desse meu vestido florido sem passar, todo descabelado, pra ficar tipo eu, torto, mas um bocadinho bonito.”

“Onde que por minhas mãos escorre meu cansaso em divida com meu cais. Teus olhos curtos preferem não me olhar enquanto reclamo da vida, enquanto meu colo é mais confortável e o único disponivel pra minha cabeça que pesa. No fundo, vejo na sombra da luz, o teu relance, nesse disfarce imediáto de quem olha, e des-olha, pra que, nenhum pedaço de mim fuja pros teus olhos mansos sem que eu perceba, pra no final, tu me olhares fundo e afundar-se no abraço de cinco minutos antes das faltas que depois fazemos. Por onde meus olhos veem você longe, atravessando a rua sempre em linha cruzada até a pequena porta onde entra, onde me faz ter a certeza que tudo o que eu preciso acomoda-se agora dentro de uma sala enquanto eu fujo pra longe mas com a certeza de volta. Isso, quando na tua e minha teimosia eu não fico, e vou pedindo o caminho todo pra que me leve ao lugar desejado nas costas ou em cima dos teus pés. Fora, que, quando se chega, se esquece de toda a confusão ou se relembra, nunca vi meus caminhos tão doces quanto uma corrida pré-avisada e um empurrão esperado e desesperado como se fosse fuga, mas, no final, fui devagarinho pra sentir teu puxão na minha mochila com o sorriso bordado no rosto e a calmaria transcrita no peito. Falta ar depois de bordar a calçada toda de gritaria e corre corre! O tom de voz que ecoa com o abraço, ou no final o beijo estralado pro ‘tuim’ da orelha. Eu penso na fuga, na vinda, na ida, no medo, nos andares, na queda, no par, na solidão; mas antes, me escorrego nos teus braços do abraço pra vida, que me acorda pra qualquer sisma de partida. Desculpe, mas eu vim, pra ficar.”

—   Nome - Juliana Altomare da Cunha

“Deixa eu dormir
pra te falar que sonhar,
nada mais é,
que um rascunho a ser praticado.

Está em Deus o manche
deste barco.
Que logo será trocado,
assim que for concebido
o sorriso que tanto desejo vivenciar.”

—    Rodrigo Caetano

Perdoa-me

Enquanto chorava me lembro de pedir a Deus o impossivel. Lembrei-me de pedir por mim, por todos os familiares - aprendi a fazer assim a oração. Pedir. Implorar. Fazer. Errei. Concertei-me por sinal quando pedi pra que em mim esteja o perdão até das dores, pra que os amores passados, não me sejam por desvio. E enquanto ainda chorava em rendimento, coloquei diante de Deus, do Rei que sempre foi dono da minha vida, caminho, história e samba, coloquei-te. Coloquei a ti, teus sentidos, teus contornos, teus ais junto com os meus. Coloquei o parque, a soneca, a bicicleta, o carinho e o pedido - o único que consegui fazer - ” Pai, eu sei que por tanto tempo fui mesquinha em querer o meu riso, mas deixa ele sorrir um pouco? Deixa Pai, deixa ele ver, seja com quem for, ou se só, que ainda se dá pra voar, que ainda tem barco firme pra navegar, e se ele não tiver Deus, restaura cada pedacinho, mas faz do teu jeito Deus, que a tua vontade sempre é perfeita. “

E me coloquei a dormir.

“- Acontece que insisto onde não caibo, e fico.
- Aqui, você cabe, ou eu, faço caber.”

—   Poeta aponta pro cais